30 março 2010

Um fotógrafo amador a 35 km de altitude

Robert Harrison é um entusiasta espacial com muito talento e imaginação. Com um orçamento ligeiramente superior a 500 euros, ele colocou uma câmara digital (usada, comprada no eBay) num balão metereológico, ligou-a a um micro computador e juntou-lhes um pára-quedas e um localizador GPS para recuperar a câmara. O resultado podem vê-lo abaixo e no Flickr.






16 março 2010

I'm gonna burn in hell!

If liking Stephen Lynch's music won't get me to hell, then NOTHING will! (thanks for the one way ticket, Ulla)



15 março 2010

Curioso paradoxo




Curiosas as cambalhotas desta vida. Ainda não há muito tempo alarmava-se o PSD pela falta de liberdade de expressão e pela censura exercida pelo Governo e seus compinchas. Isto vindo de um partido cuja líder havia dito que gostava de suspender a democracia por 6 meses já era algo de paradoxal, mas o que sucedeu este fim-de-semana no congresso do PSD destrói por completo a legitimidade dos sociais-democratas em lutar pela "perdida" liberdade de expressão. Confesso que ainda estou perplexo não apenas pela ideia em si mas pela unanimidade que gerou na cúpula do partido (contra a mesma :o). Por estas e por outras é que sondagem após sondagem o PS volta a ganhar terreno ao maior partido da oposição. Pela sua representatividade e por ser um dos dois únicos partidos capazes de formar governo, o PSD e os seus dirigentes deveriam ter um pouco mais de bom senso na gestão da sua casa. Como é que poderei confiar num governo formado por pessoas que acham que é perfeitamente legítimo calar os seus apoiantes? Que garantias terei eu que chegados ao poder não tentarão fazer o mesmo à população em geral? Mais: se não são capazes de se governar por forma a manter os seus próprios militantes satisfeitos e afastarem as suas críticas, como poderão serem capazes de governar o país? Não seria mais proveitoso ouvir as críticas dos militantes e tentar perceber o que está mal no partido?


Foto por zone41

25 fevereiro 2010

A doença e a cura

Já há muito que a palavra tuberculose foi riscada do nosso imaginário colectivo como uma doença real e efectivamente perigosa. O facto da doença ter desaparecido tanto do nosso imaginário como dos cabeçalhos dos jornais é algo que não consigo explicar, especialmente tendo em conta a histeria que rodeou outras doenças que na consciência colectiva das sociedades ocidentais são muito mais perigosas. O ano passado meio mundo saiu à rua com máscaras a tapar a boca com medo da nova gripe, uma doença que matou cerca de 15 mil pessoas em 2009. É alarmante, claro, mas é um número totalmente pulverizado pelas vítimas anuais da tuberculose: nada mais nada menos do que 1.77 milhões. Sim, leram bem, 1.77 MILHÕES.

Tendo em conta a disparidade dos números parece de facto algo patética a nossa reacção ao H1N1, mas o que mais me alarma é a razão pela qual tanto se fala numa e se fala tão pouco noutra. Podem dizer-me que o número de vítimas do mundo ocidental não é muito significativo, o que posso aceitar, mas há outro número que me chama a atenção: o tratamento para a estirpe mais vulgar da doença (que afecta mais de metade das pessoas que a contraem) custa 11 dólares. O tratamento inteiro. Imagino que estes medicamentos não constituem uma fatia significativa dos lucros anuais das companhias farmacêuticas, ao contrário de medicamentos para novos vírus como o H1N1. Eu sei que estou a soar a conspiracy theory, mas a forma de actuação destas empresas em África leva-me a desconfiar fortemente dos seus padrões éticos.

O facto da doença estar a evoluir, tornando-se cada vez mais resistente aos tratamentos convencionais, e estar a tornar-se cada vez mais comum nos países da Europa Ocidental, não contribui em nada para acalmar os meus receios quanto à indústria farmacêutica. Espero que o que acabei de escrever não passe de um delírio da minha fértil imaginação alimentada a cafeína (o que é o mais certo - demasiados X Files podem ter consequências nefastas) mas duvido que esta doença possa ser considerada, nos tempos mais próximos, como totalmente erradicada (como chegou a pensar-se nos anos 60). Quem quiser ler mais sobre a evolução da doença nos tempos recentes tem este artigo do EUObserver. É longo, mas vale a pena.

Foto do álbum de Leander Pretorius no Flickr.

16 fevereiro 2010

Buzz off


Quem me conhece sabe que eu sou um fã acérrimo da Google, tanto dos seus produtos como da forma como a empresa encara o mercado e os concorrentes. Não passa um dia sem que eu use uma colecção de apps da Google, começando pelo Gmail, passando pelo Reader e acabando no estaminé que estão a ler. Por isso mesmo, quando, na semana passada, anunciaram o lançamento do Buzz fiquei bastante entusiasmado. A premissa parecia interessante: uam rede social dentro do mail. Isso chegou para me aguçar o apetite, mas o entusiasmo deu rapidamente lugar à desilusão e mesmo apreensão. Em bom português, há que dizer que o Buzz é uma merda.

Começa logo pelo interface. Não há qualquer tipo de organização, não há possibilidade de colocar as fotos num local separado, os posts amontoam-se uns em cima dos outros num caos absolutamente impossível de gerir. Depois, passa pela privacidade. Ou melhor, pela falta dela. A partir do momento em que tenho o Buzz aberto no meu perfil, qualquer pessoa pode aceder a tudo o que lá coloco. Qualquer pessoa. Até no Facebook, com todos os problemas que nós conhecemos, temos formas de fechar o que queremos mostrar apenas a familiares e amigos. Para terminar, não sei quem foi o génio que se lembrou que seria uma boa ideia despejar o conteúdo do Buzz no próprio GMail. Tudo o que eu postei no Buzz (ou melhor, nos serviços que associei ao Buzz, como aqui o estaminé ou o Twitter) foi colocado também na pasta sent mail. Ora, se é um post numa rede social não é seguramente um mail, e se o quero na rede social não o quero no mail.

Creio que o Buzz revela todos os problemas que a Google tem tido com o conceito de redes sociais. O Orkut teve sucesso apenas no Brasil e o Friend Connect foi um enorme falhanço; o Buzz terá a bóia do Gmail para o manter à tona, mas duvido que seja capaz de competir com o Facebook, pelo menos para já. Acredito que a Google esteja a experimentar a integração de diferentes plataformas, por forma a podermos, no futuro, aceder a toda a informação que nos interessa num só lugar; qualquer coisa do género, Gmail+Reader+Buzz+Wave. Se resolverem o problema da privacidade e perceberem que pode haver contactos e mensagens que eu quero num lado que não quero noutro, talvez possa ser uma boa solução.
Creative Commons License
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-Noncommercial-No Derivative Works 3.0 Unported License.